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Lenira Fleck | 2009


BEBER ÁGUA PASSANTE

Prefácio do livro ÁGUA PASSANTE

 

Os passantes são o teatro. Eu,…???                                             

Liana Timm    

Desta água não beberei… denegação em vão! Somos todos transeuntes nesta vida que corre entre águas e des(águas).
 
A voz que surge em cascatas poéticas do dizer da artista é sua, espectro do sujeito que domina o ser passante, mas nem errante sempre. 
Deixe-se ouvir, deixe-se ver no espelho d’água destes versos, assim… tinTim(m) por tinTim(m). Em apelido, sempre em obra, torne-a familiar, entregue-se ao mergulho poético.

Que esta fale do seu deságue, desali-nho, descaminho… tanto faz. Que fale! Tenha voz ativa, que seja nas palavras do poeta, num mimetismo  autoral que não requer direitos, apenas o da fruição sem limites. 

O ato de enunciação é livre. Associe livremente, pois haverá sempre um desejo por trás das palavras que deixam de dizer para que se deixem dizer pelo fruidor sensível ao repertório poético e artístico – jogo de cumplicidade entre escritor e leitor.

Água Passante remete à metáfora freu-diana, tributo ao artista, aquele que vende os móveis da casa para comprar as tintas…

A força da poética revela uma espécie de dívida de gratidão com o tempo, que se deixa elaborar pela riqueza do imaginário da escritora/artista. Pinta em versos, em versos pinta… garatujas de supostas, sempre supostas condições do humano. 

Condições estas que talvez somente a poesia possa delas algo expressar, pois, por mais que diga, deixará margens para novos dizeres que sejam mascarados de mentiras, que de modo geral escondem grandes verdades. A poesia de Liana Timm deveria ser lida em voz alta e em bom som para acordar o sujeito adormecido que habita o ser. 

E, por isso mesmo, dificilmente cede à sede de um novo e desconfortável saber 
que o desaloje da familiar zona de conforto. Risco de despejo num eterno estado de estranho-familiar, mal estar responsável pelas transformações subjetivas.

Desta água não beberei, seca a fonte, mas a alucinação do desejo de beber move montanhas e cria a sensação de que o limite está sempre mais adiante…

Em voz alta é a instrução de leitura, vale a pena testar seus próprios limites e vislumbrar A cor do som ou o som da cor, criando palavras e imagens que configu-rem algum sonho (poético ou não).


Vale a pena tentar!



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