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Armindo Trevisan | 2008


Texto escrito para a exposição CYRO: O CONCILIADOR DE EXTREMOS acontecida na Casa de Cultura Mario Quintana | Galeria Xico Stockinger | 2008           

 

            A mostra de Liana Timm, em homenagem ao Centenário de Nascimento de Cyro Martins, montada na Casa de Cultura Mário Quintana, é um agradável convite a uma reaproximação, não só da personalidade do escritor, da sua biografia, como também de sua excepcional produção de ficcionista e memorialista

Liana mostrou lucidez e humildade na abordagem do trabalho.

Para interessar os espectadores, privilegiou a cronologia da vida e da obra do escritor. Graças a isso, o visitante descobre, imediatamente, a moldura dentro da qual ambas se situam. Os fatos da biografia do escritor combinam-se com os da publicação de suas obras. Tal dimensão, por assim dizer didática, favorece a compreensão da obra, que é metaforizada pela proposta estética da artista. Ao invés de preocupar-se com a mera ilustração, Liana busca uma sorte de síntese entre as exigências da história pessoal, da história da sociedade em que o autor está inserido, e das exigências de seu imaginário.O espectador é incitado a criar uma explicação,objetiva e subjetiva, e até, uma nova ficção sobre o que vê.

            O aspecto Design da mostra merece particular menção. É o seu ponto alto.

A artista efetua uma mescla de inteligência e sensibilidade na exposição do tema. A cor adere à finalidade da mostra, que é possibilitar uma re-visão da biografia e da obra de Cyro Martins, contribuindo para que o seu objetivo seja atingido. Que objetivo? O de tornar o espectador, ao mesmo tempo, um fruidor, e um leitor – pelo menos potencial – da produção de Cyro. Sob esse ponto de vista, Liana, também, é feliz. A dimensão plástica de sua mostra deixa-se ver, é claro, porém sempre subordinada à intenção maior da valorização do grande mestre.

            Por tudo isso, pela maestria do design, pela orquestração cromática do conjunto, pela inserção de elementos biográficos e sociológicos, tanto do campo (afinal, trata-se de Cyro Martins, o criador da Trilogia do Gaúcho a Pé), como da cidade, por tudo isso a mostra de Liana é uma homenagem inesquecível a Cyro. É, também, uma iniciação altamente provocativa à sua leitura, visto que, de alguma forma, a artista induz o espectador a interessar-se pelo que está vendo. Há qualquer coisa de subliminal na mostra, que impulsiona o espectador nessa direção.



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