logo

balao

Armindo Trevisan | 1986


Liana, arquiteta, escultora e pintora, compõe também poemas. Não o faz por distração; pelo contrário, sua poesia exige grande concentração, obrigando-nos a assimilar a reflexão finíssima de Octavio Paz: ?(…) onde parece que já não há nada nem ninguém, na fronteira última, aparece o outro, aparecemos todos.? Liana persegue semelhante fronteira última, às vezes na esfera do vulgar e do consumido: ?Em brasa / minha brancura / no lençol gelado / gelo de tua asa / Em casa / todo meu dinheiro / Na rua / a minha cura / Na lua / os ingredientes da minha doidura / No banho / um naufrágio impossível / No chuveiro / uma chuva / britada dos poros da mente.? À primeira vista, não existe ali nada, nem ninguém: pois é onde a poeta vai apanhar a insi gnificância à espera de um jato de luz que a tornará, através de um corpo verbal de imagens e música, significante, isto é, u ma experiência de vitória do absurdo, daquilo que tenta remergulhar o homem na indistinção dos objetos. ?Ninguém sabe o que acontece nos oceanos / É surpresa o movimento das águas / a atingir as algas entocadas / no profundo fundo do eu?: eis uma solidariedade que vence a opacidade do mundo, e até mesmo, as injustiças sociais



Na rede